O uso de diesel como agente desmoldante em obras de pavimentação é uma prática antiga e ainda relativamente comum em diversos canteiros. Tradicionalmente aplicado em caçambas de caminhões, vibroacabadoras e ferramentas, o diesel sempre foi visto como uma solução simples e de baixo custo para evitar a aderência da mistura asfáltica aos equipamentos.
No entanto, a engenharia de pavimentos evoluiu significativamente nas últimas décadas. Hoje, discute-se não apenas a execução da obra, mas a durabilidade, o desempenho ao longo do ciclo de vida e a sustentabilidade do processo construtivo. Nesse contexto, a utilização de diesel como desmoldante merece uma análise mais criteriosa.
Do ponto de vista técnico, o diesel é um derivado leve do petróleo e possui frações que podem atuar como solvente parcial do ligante asfáltico (CAP). Quando entra em contato com a mistura quente, existe a possibilidade de interferência na formação adequada do filme asfáltico ao redor dos agregados. Essa alteração pode afetar temporariamente a viscosidade do ligante e comprometer a qualidade da interface ligante/agregado.

É importante lembrar que grande parte das falhas prematuras em pavimentos não ocorre por deficiência estrutural, mas sim por problemas relacionados à adesividade. A presença de contaminantes, ainda que em pequenas quantidades, pode aumentar a suscetibilidade ao descolamento induzido por umidade (stripping), reduzindo a resistência retida da mistura e antecipando manifestações patológicas como desagregação e perda de coesão.
Além da questão técnica, há também implicações ambientais e ocupacionais. O diesel não foi desenvolvido para essa finalidade específica. Sua aplicação pode gerar vapores nocivos, risco de contaminação do solo e questionamentos regulatórios, especialmente em um cenário de exigência crescente por práticas mais sustentáveis na construção rodoviária.
Diante desse panorama, a modernização de procedimentos de obra torna-se um passo natural. Atualmente, existem produtos formulados especificamente para atuar como agentes antiaderentes sem interferir na composição da mistura. Paralelamente, o uso de promotores de adesividade no ligante asfáltico, como o Zycotherm, contribui para fortalecer quimicamente a interface ligante/agregado, aumentando a resistência à umidade e reduzindo significativamente o risco de stripping.
Mais do que uma questão operacional, a escolha dos materiais e procedimentos impacta diretamente a durabilidade do pavimento. Em um setor onde retrabalhos representam custos elevados e impacto na mobilidade, revisar práticas históricas sob a óptica técnica é uma decisão estratégica.
Modernizar não é aumentar custos.
É reduzir risco e garantir desempenho ao longo do tempo.
