A durabilidade das misturas asfálticas está diretamente relacionada à estabilidade da interface entre o ligante asfáltico e o agregado mineral. Essa interface, embora microscópica, é responsável pela integridade estrutural da mistura e pela sua capacidade de resistir às solicitações ambientais e mecânicas ao longo do tempo.
Durante períodos de transição climática, como o outono, a combinação entre redução de temperatura e aumento da umidade relativa cria um cenário particularmente crítico para essa interface.
Do ponto de vista físico-químico, o fenômeno conhecido como stripping ocorre quando há perda de adesão entre o ligante e o agregado, geralmente induzida pela presença de água. Esse processo está diretamente relacionado à energia superficial dos materiais envolvidos.
Agregados minerais, especialmente aqueles de natureza silicosa, apresentam caráter hidrofílico, ou seja, possuem maior afinidade com a água do que com o ligante asfáltico. Em condições de umidade, estabelece-se uma competição na interface: moléculas de água tendem a deslocar o ligante da superfície do agregado, reduzindo a coesão da mistura.
Esse efeito é intensificado em temperaturas mais baixas por dois fatores principais:
- Aumento da viscosidade do ligante asfáltico, reduzindo sua capacidade de envolver completamente o agregado e formar um filme contínuo e estável
- Menor eficiência de secagem dos agregados, permitindo a permanência de umidade residual mesmo após o processo de aquecimento
Além disso, a presença de microfilmes de água na superfície dos agregados pode não ser completamente eliminada na usinagem, criando uma interface inicialmente fragilizada.

O problema central é que o stripping não se manifesta de forma imediata. Ele se inicia em escala microscópica, com a formação de descontinuidades na interface, e evolui progressivamente sob ação de carregamentos repetitivos e variações térmicas. Ao longo do tempo, essa perda de adesividade resulta em redução da resistência mecânica, aumento de vazios e deterioração precoce do revestimento.
Nesse contexto, a modificação da interface ligante/agregado torna-se uma estratégia essencial.
O uso de promotores de adesividade como o Zycotherm atua diretamente na energia superficial dos materiais, promovendo uma ligação mais estável entre o ligante e o agregado. Sua ação envolve a redução da tensão interfacial e o aumento da afinidade química entre as fases, criando uma barreira mais resistente à ação da água.
Além disso, sua atuação contribui para:
- Aumento da resistência retida após condicionamento por umidade
- Melhoria da dispersão do ligante sobre o agregado
- Redução da suscetibilidade ao stripping em diferentes tipos de agregados
Ao atuar na escala molecular, o Zycotherm não apenas melhora a adesividade inicial, mas contribui para a manutenção dessa ligação ao longo do ciclo de vida da mistura.
Em condições de baixa temperatura e maior presença de umidade, essa proteção torna-se ainda mais relevante.
Ignorar a interface é ignorar o ponto mais sensível da mistura.
E, em engenharia de pavimentos, é na escala invisível que muitos problemas começam.
