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O papel da fibra na dosagem SMA: evidências técnicas a partir de resultados laboratoriais

As misturas asfálticas do tipo SMA (Stone Matrix Asphalt) exigem controle rigoroso de seus componentes para garantir desempenho estrutural e durabilidade. Entre esses componentes, a fibra exerce papel fundamental na estabilização do ligante, especialmente em misturas com elevado teor de asfalto.

No estudo de dosagem SMA – Faixa I, realizado para aplicação em camada de rolamento, os resultados laboratoriais demonstram de forma objetiva como o uso da nossa fibra, na dosagem correta, contribuiu para o equilíbrio da mistura e para o atendimento simultâneo aos critérios normativos e funcionais.

Teor de fibra e sua função na mistura

A dosagem adotou 0,4% de fibra, valor compatível com aplicações de SMA estrutural.

Esse teor mostrou-se adequado para:

  • Conter o escorrimento do ligante durante usinagem e compactação
  • Garantir distribuição homogênea do asfalto na matriz granular
  • Preservar a estrutura pedra-pedra característica do SMA

A escolha do teor de fibra foi decisiva para que a mistura apresentasse estabilidade volumétrica sem comprometer a trabalhabilidade.

Resultados volumétricos e estabilidade da mistura

Os ensaios laboratoriais indicaram que a mistura apresentou:

  • Volume de vazios (Vv): 4,0%
  • VAM: 17,2%
  • Relação betume/vazios (RBV): 76%

Esses valores demonstram um equilíbrio adequado entre ligante, vazios e estrutura granular, condição essencial para misturas SMA. A presença da fibra foi determinante para manter esses parâmetros dentro da faixa recomendada, evitando tanto exsudação quanto mistura excessivamente seca.

Estabilidade Marshall e desempenho mecânico

A mistura apresentou estabilidade Marshall de 9,8 kN, valor superior ao mínimo exigido para misturas do tipo SMA, evidenciando:

  • Boa resistência à deformação permanente
  • Capacidade de suportar tráfego pesado
  • Manutenção da integridade estrutural da camada de rolamento

A fibra contribui indiretamente para esse resultado ao estabilizar o ligante, evitando sua migração e garantindo que o esforço seja corretamente transferido entre os agregados.

Resistência dos agregados e durabilidade

O agregado utilizado apresentou Abrasão Los Angeles de 22%, indicando elevada resistência ao desgaste e compatibilidade com aplicações estruturais.

No ensaio de durabilidade, a mistura apresentou perda inferior a 5%, resultado que reforça:

  • Boa adesividade entre ligante e agregado
  • Redução do risco de desagregação precoce
  • Contribuição da fibra para retenção do ligante ao longo do tempo

A fibra atua como elemento de retenção e distribuição do ligante, favorecendo a durabilidade global da mistura.

Adesividade e comportamento da mistura

A avaliação qualitativa de adesividade indicou comportamento satisfatório, sem evidências de desagregação ou segregação. Esse desempenho está diretamente relacionado à estabilidade do filme de ligante, promovida pela presença da fibra na matriz asfáltica.

Síntese técnica dos resultados

Parâmetro — Valor obtido — Contribuição da fibra

  • Teor de fibra — 0,4% — Estabilização do ligante
  • Vazios (Vv) — 4,0% — Controle volumétrico
  • VAM — 17,2% — Preservação da estrutura SMA
  • RBV — 76% — Equilíbrio ligante/vazios
  • Estabilidade Marshall — 9,8 kN — Desempenho estrutural
  • Abrasão Los Angeles — 22% — Resistência do agregado
  • Durabilidade — < 5% — Retenção do ligante

Conclusão

Os resultados laboratoriais da dosagem SMA evidenciam que o uso da nossa fibra, na dosagem correta, não apenas atende às exigências normativas, como contribui diretamente para o desempenho global da mistura.

A fibra demonstrou ser um componente essencial para:

  • Estabilizar o ligante em misturas com alto teor asfáltico
  • Manter os parâmetros volumétricos dentro da faixa ideal
  • Garantir durabilidade e previsibilidade de comportamento em campo

Em projetos de SMA, a fibra deixa de ser um insumo secundário e passa a ser um elemento-chave de engenharia para redução de riscos e garantia de desempenho em campo.

No próximo artigo desta série, avançamos além dos resultados de laboratório e analisamos a fibra sob a ótica da usina, da obra e da vida útil do pavimento, mostrando por que, em SMA, a fibra não deve ser tratada como custo, mas como ferramenta de controle de risco técnico.

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